Quanto uma marca de beleza deve investir em marketing de influência?

Por que não existe um percentual único

Você já deve ter ouvido regras como "reserve X% do faturamento para marketing". O problema é que influência não é uma linha isolada — ela conversa com mídia paga, seeding, PR e trade. Em beleza, onde a decisão de compra passa muito por prova social, o marketing de influência muitas vezes deixa de ser "um canal" e vira a espinha dorsal da estratégia de topo e meio de funil.

O investimento em publicidade digital no Brasil segue crescendo de forma consistente (Statista, 2024), e beleza e cuidados pessoais é uma das categorias que mais migra verba para social. Ou seja: a pergunta certa não é "quanto todo mundo gasta?", e sim "quanto o meu objetivo exige para acontecer de verdade?".

Comece pelo objetivo, não pelo valor

Antes de definir orçamento, defina o que a campanha precisa entregar. Cada objetivo tem uma lógica de investimento diferente:

  • Awareness (lançamento, nova categoria): exige volume de creators e frequência. Aqui o orçamento é pensado em amplitude — mais bocas falando, mais vezes.
  • Consideração (educar sobre um ativo, uma textura, um modo de uso): exige profundidade. Menos creators, conteúdo mais explicativo, mais tempo de tela.
  • Conversão (cupom, link, social commerce): exige creators com histórico de venda e mecânica clara de rastreio (link, cupom, TikTok Shop).

Uma marca que quer awareness e monta um orçamento pensando em conversão quase sempre subinveste em volume — e conclui, erradamente, que "influência não funciona".

As três variáveis que puxam o orçamento

Quando eu ajudo a estruturar uma campanha, três variáveis explicam quase todo o tamanho do investimento:

  1. Número de creators. Awareness pede rede; conversão pede curadoria. O volume muda tudo.
  2. Tipo de creator. Nano e micro entregam custo-eficiência e engajamento nichado; macro entregam alcance. O mix ideal raramente é "só um tipo".
  3. Formato e uso do conteúdo. Um vídeo dedicado custa diferente de um Story. E se você vai impulsionar o conteúdo como anúncio (whitelisting), precisa reservar verba de mídia separada — veja nosso guia de whitelisting em beleza.

Divida o orçamento em três camadas

Uma estrutura que funciona bem em beleza é pensar o investimento em camadas complementares, não como uma verba única:

  • Seeding / gifting (topo): envio de produto para gerar conteúdo espontâneo e testar afinidade. Custo relativo mais baixo, volume alto. É a camada de descoberta — veja como fazer seeding que gera conteúdo.
  • Parcerias pagas (meio): creators selecionados com briefing e entregas definidas. É onde mora a consistência da mensagem.
  • Amplificação (mídia): verba para impulsionar os conteúdos que performaram. Sem essa camada, você depende só do alcance orgânico.

Marcas que colocam tudo em uma só camada costumam ou queimar verba em poucas publis caras, ou pulverizar em seeding sem nunca amplificar o que deu certo.

O erro mais caro: subinvestir e não conseguir medir

O pior orçamento não é o pequeno — é o que não gera aprendizado. Se a campanha é tão enxuta que roda com dois ou três creators e um único formato, você não tem base de comparação para saber o que funcionou. Um orçamento saudável reserva uma fatia para teste e leitura de dados. (Sobre isso, vale ver como medir resultados de influência em beleza e como fazer teste A/B em campanha.)

Como a BIA entra na conta

Definir orçamento fica muito mais fácil quando você sabe exatamente com quem vai trabalhar e por quê. Eu cruzo mais de 100 características de perfil para montar o match entre a marca e os creators certos dentro de uma base de 25 mil bflus, com mais de 2M de consumidoras alcançadas e mais de 100M de interações mapeadas. Isso reduz o desperdício — que é a maior fonte de "investimento jogado fora" em influência: pagar por alcance que não é do seu público.

Com o match certo, o orçamento deixa de ser um chute e vira uma decisão: quantos creators, de que tipo, para qual objetivo.

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